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Pesquisas da Agricultura potencializam produção de mudas de acácia-negra

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Muda de acácia negra
Projetos de pesquisa ajudam a qualificar a produção de mudas de acácia negra no Estado - Foto: Fernando Dias
Por Elaine Pinto

Árvore exótica, originária da Austrália, a acácia-negra encontrou um lar propício no Rio Grande do Sul: a produção de florestas plantadas desta árvore no Estado ocupa uma área de 90 mil hectares e envolve, atualmente, cerca de 40 mil famílias. A partir da acácia-negra, pode-se produzir carvão vegetal e, de sua casca, é extraída uma substância chamada tanino, utilizada em curtumes e em estações de tratamento de água.

Tendo em vista sua crescente importância econômica para o agro gaúcho, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, por meio do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária, vem investigando formas de potencializar esta cultura florestal no Estado. Uma das linhas de pesquisa conduzidas é a respeito da utilização de bactérias que se associam à raiz da planta e ajudam na fixação biológica de nitrogênio, dispensando o uso de fertilizantes.

“Chamados inoculantes, eles já são de uso amplo no cultivo da soja. A ideia é popularizar o uso para a acácia-negra, que é uma parente distante, sendo também uma leguminosa”, explica o pesquisador Bruno Brito Lisboa. O DDPA possui a maior coleção no Brasil deste tipo de bactéria, os rizóbios, sendo o laboratório oficial do Ministério da Agricultura para a indústria de inoculantes de soja.

Muda de acácia negra fora do tubete, exibindo as raízes
As bactérias se associam à raiz da planta e ajudam na fixação do nitrogênio, dispensando o uso de fertilizantes - Foto: Fernando Dias

A caracterização de uma bactéria específica para as sementes de acácia-negra foi realizada na década de 1980, mas os pesquisadores da Secretaria continuam selecionando estirpes de rizóbios (bactérias) que sejam mais eficientes na fixação do nitrogênio. O grupo de pesquisa também está aplicando essa tecnologia a campo, em visitas a produtores de mudas florestais. No primeiro teste, os pesquisadores observaram que a germinação das sementes aumentou em 16% com a utilização do inoculante, proporcionando uma maior uniformidade dos lotes de mudas. “É um resultado interessante, porque o uso do inoculante não é exatamente para este fim. É um efeito associado muito positivo”, destaca o engenheiro florestal da Seapdr Jackson Brilhante.

O resultado despertou o interesse de alguns produtores, como Laércio Somacal, de Montenegro. Com média de produção de 3 milhões de mudas, Laércio tem como meta aumentá-la para 4 milhões em 2019. Ele concordou em produzir alguns lotes de mudas a partir de sementes tratadas com inoculantes para poder observar a diferença. “Pra mim vem bem, porque agrega à germinação, e nós sempre tivemos um problema na germinação. Tempos atrás a germinação era pior e hoje já está melhor, mas se melhorar em 16%, como ele falou, já é um grande ganho”, avalia. Em Pareci Novo, o viveirista Ulysses Heldt também quis participar do teste. Com uma produção média de 4 milhões de mudas por ano, Ulysses espera chegar aos 6 milhões em 2019, pois a procura por mudas de acácia-negra está grande. “Hoje, esse tipo de muda responde por 90 a 95% da minha produção”, conta.

Pesquisador aplicando inoculantes num vidro com sementes de acácia negra, sendo observado pelo produtor rural
O inoculante é aplicado nas sementes da acácia que serão usadas para a produção de mudas - Foto: Fernando Dias

Bactérias promotoras do crescimento

Outra linha de pesquisa avalia a utilização de bactérias para ajudar a promover o crescimento da planta. A produção de mudas de acácia-negra também pode ser feita por meio do enraizamento de estacas obtidas de plantas matrizes, condição em que é necessário utilizar hormônios vegetais sintéticos para aumentar a taxa de enraizamento. Por isso, os pesquisadores estão avaliando o emprego de outros grupos de bactérias benéficas, conhecidas como promotoras de crescimento vegetal. “Estas bactérias, quando aplicadas nas estacas, têm a capacidade de aumentar o enraizamento, porém sem a necessidade do uso de hormônio vegetal. A utilização destas bactérias, além de ser uma alternativa de menor custo, também evita o uso de produtos químicos que podem ser tóxicos ao produtor”, explica Jackson.

Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural