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Fungo aumenta produtividade de milho em 2,4 mil quilos por hectare

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Pesquisadora Gerusa Steffen durante colheita das parcelas do experimento em São Borja
Pesquisadora Gerusa Steffen durante colheita das parcelas do experimento em São Borja
Por Elaine Pinto

Depois de uma quebra de safra devido à estiagem, uma boa notícia surge para os produtores de milho do Rio Grande do Sul: pesquisa em campo realizada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) constatou um incremento de mais de 2,4 mil quilos por hectare na produtividade do milho híbrido quando este é semeado com inoculação do fungo Trichoderma harzianum. O ensaio foi conduzido em campo experimental no município de São Borja, nesta safra, antes do período da seca.

Na direita, a espiga da planta inoculada; na esquerda, da planta que não recebeu o tratamento
Na direita, a espiga da planta inoculada; na esquerda, da planta que não recebeu o tratamento
Pesquisadores e técnicos do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria (DDPA/Seapdr) semearam duas parcelas de milho híbrido lado a lado no campo experimental. O manejo da cultura ocorreu normalmente em ambas as parcelas, com adição de fertilização mineral e controle fitossanitário. A diferença foi a inoculação no momento da semeadura. Em uma parcela não houve tratamento de sementes; na outra, as sementes de milho foram imersas em um inoculante que continha isolados do fungo Trichoderma harzianum, produzido no Laboratório de Insumos Biológicos do Centro de Pesquisa em Florestas, de Santa Maria. Enquanto a parcela de plantas não inoculadas produziu 13.800 quilos por hectare, a de plantas provenientes de sementes inoculadas computou 16.232 quilos por hectare.

Diferença na quantidade de raízes e tamanho do caule entre as plantas inoculada e não inoculada
Diferença na quantidade de raízes e tamanho do caule entre as plantas inoculada e não inoculada
“A inoculação do fungo resultou em incrementos significativos na produtividade do milho. Observamos efeitos positivos do tratamento sobre o comprimento e o diâmetro da espiga, o número de grãos por linha, o peso total da espiga e o peso total de grãos por espiga”, enumera a pesquisadora Gerusa Steffen. O estudo sugere que o fungo Trichoderma causou um aumento na quantidade de raízes e no diâmetro do caule das plantas que foram inoculadas. “Com isso, houve um aumento da capacidade destas plantas em absorver e translocar nutrientes e água durante o ciclo da cultura”, explica Gerusa.

A pesquisadora aponta para a vantagem deste fungo ser encontrado naturalmente no solo do Rio Grande do Sul, ter crescimento rápido e habilidade para sobreviver em diferentes tipos de substratos, além de se associar beneficamente a outras espécies de cultivos agrícolas e florestais. “O Trichoderma é considerado um microrganismo com múltiplas funções, podendo ser utilizado tanto para a promoção de crescimento vegetal quanto para o controle de diversos fitopatógenos”, detalha.

O inoculante de Trichoderma produzido pelo DDPA/Seapdr ainda não é comercial e está passando por testes em diferentes culturas. Os resultados completos do estudo sobre a cultura de milho híbrido serão publicados em Comunicado Técnico nos próximos meses. Mais informações sobre a pesquisa podem ser obtidas pelo e-mail florestas@agricultura.rs.gov.br ou pelos telefones (55) 3228-1045 e 3228-1212.

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